CPAS2009: Primeiro dia do evento discute atuação do assistente social

Apresentação1Profissionais e estudantes de Serviço Social e representantes do Ministério do Desenvolvimento Social e do legislativo paranaense participaram nesta quinta-feira (12) da abertura oficial do IV Congresso Paranaense de Assistentes Sociais, realizado no Estação Embratel Convention Center, em Curitiba. No encontro que acontece até o domingo (15) os participantes discutiram a intervenção e o exercício profissional do assistente social e as dificuldades para garantir e promover os direitos da população, a partir do tema “Trabalho, Direitos e Políticas Públicas”.

O tema foi tratado na conferência de abertura conduzida pela presidente do Conselho Regional de Serviço Social (Cress/PR), Jucimeri Silveira, e pela professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Yolanda Guerra. Elas falaram sobre os conflitos ainda existentes entre teoria e prática do assistente social e apontaram a necessidade de garantir a constante qualificação da categoria para atuar diante das alterações sociais que ainda forçam o profissional a agir exclusivamente como provedor de necessidades imediatas. “A pesquisa empírica e social, pode e deve servir como instrumento para a nossa atividade. Através dela é possível reconhecer as necessidades e o perfil da comunidade em atendimento”, afirmou Jucimeri.

Coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Serviço Social da UFRJ, Yolanda reforçou o compromisso com a qualificação profissional e criticou o sistema educacional que, segundo ela, promove a mercantilização da educação e a fragilização da formação profissional através dos cursos de ensino a distância e da ampliação de vagas públicas sem a infra-estrutura necessária. “Ao oferecer cursos rápidos (de até dois anos), baratos ou com estrutura precária (caso do processo de interiorização das universidades) fragiliza-se a atividade profissional e cria-se a ideia de que a qualificação é desnecessária para quem trabalha com pobre” criticou Yolanda. De acordo com ela, essa estrutura compromete o processo de regulamentação profissional, já que fragiliza a atividade e abre espaço para terceirização e fragilização dos contratos de trabalho. “Vivemos um processo de desregulamentação profissional e é preciso reforçar a atividade dos conselhos, a exemplo do Cress/PR, para impedir que a categoria também seja atingida” disse.

A presidente do Cress/PR aproveitou a oportunidade para fazer um balanço das novas vagas disponibilizadas através de concurso público aos profissionais de Serviço Social paranaenses. “Os concursos públicos, a exemplo do Tribunal de Justiça do Paraná, são uma conquista do profissional da assistência, já que garante a efetiva participação da categoria nas decisões institucionais”, lembrou. Ainda sobre a atuação profissional, Jucimeri criticou as estruturas municipais relacionadas à Assistência Social que, segundo ela, impedem a correta aplicação das políticas públicas. “A estrutura de poder de alguns municípios, atrelam a política de Assistência a figura da primeira dama ou de estruturas não técnicas que retiram a Assistência do papel de promotor da cidadania ao favorecer as práticas assistencialistas e de subserviência da comunidade” criticou.

Da mesa de abertura participaram representantes da Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (Enesso), do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Fundação de Ação Social (FAS), Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social, além da vereadora Josete.

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